Comprometidos com o olhar para as especificidades das populações do campo no Ceará, pioneiro nessa experiência, o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra no CE (MST/CE), em parceria com a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares (RNMMP) e o suporte acadêmico da Escola Fiocruz de Governo Brasília (EFG-Fiocruz Brasília) idealizaram e implementaram um processo formativo nas áreas de assentamentos e acampamentos do MST.

Os encontros foram organizados no modo virtual e alguns territórios, atendendo às regras sanitárias e às demandas relacionadas aos decretos de isolamento social do governo do estado, realizaram oficinas práticas presenciais.

Os recursos pedagógicos utilizados para essa formação se organizaram na criação do Sistema Agentes do Campo, que envolve uma série de soluções tecnológicas como um Site Web, bancos de dados distribuídos, um aplicativo para dispositivo móvel (App), além de material didático contendo um caderno Guia de Roteiros e Cadernos Pedagógicos. Cada módulo contou com um Caderno Pedagógico com textos de apoio aos temas trabalhados.

  • Educação Popular
  • Pedagogia da Alternância
  • Temas/eixo de cada Módulo
  • TICs (enquanto formação)

EDUCAÇÃO POPULAR

As práticas da Educação Popular, legado deixado pelo educador Paulo Freire, nos inspira e norteia de que o processo de educação popular é resultante de um diálogo de saberes das experiências, saberes populares e de conhecimentos sistematizados que vêm sendo construídos social e cooperativamente. Qualquer educação popular, seja informal ou formal, escolarizada ou em organizações sociais deve assumir uma perspectiva crítica radical, libertadora e transformadora, e considerar os sujeitos como agentes de produção do conhecimento e não apenas como receptores, como destaca Freire (FREIRE, 2000).

PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA

A Pedagogia da Alternância propõe uma formação com períodos alternados de vivência e estudo na Escola e na Comunidade. Esta pedagogia permite uma formação global onde a experiência e a sistematização ficam presentes.

Da experiência brotam os novos conhecimentos que são retomados pela escola (teoria) para aplicação imediata em outras situações de aprendizagem (prática). Por meio da Alternância o(a) educando(a) analisa sua realidade através das atividades trabalhadas nos períodos escolares e a partir de observações constantes que faz no meio comunitário A Pedagogia da Alternância permite que os conteúdos de ensino apreendidos no “tempo aula” sejam verdadeiramente vinculados ao meio de vida do(a) educando(a).

FORMAÇÃO-AÇÃO

“É um recurso metodológico que se propõe a vivenciar teoria e prática ao mesmo tempo e sob o mesmo contexto, dessa maneira a teoria poderá ser pautada pela prática e vice-versa. Nessa perspectiva, a teoria vai à experimentação e nela se ressignifica, reorganizando-se. A ação concreta valida o conhecimento aprendido e indaga novos aprendizados. Um processo que exige uma relação horizontal e dialógica entre educadores(as) e educandos(as)”, Ana Paula Dias de Sá

A formação-ação de Agentes Populares de Saúde do Campo no CE foi concebida em três módulos educativos com temas propostos pelos(as) próprios(as) educandos(as) com base nas suas necessidades e nas de suas Comunidades.

Da experiência brotam os novos conhecimentos que são retomados pela escola (teoria) para aplicação imediata em outras situações de aprendizagem (prática). Por meio da Alternância o(a) educando(a) analisa sua realidade através das atividades trabalhadas nos períodos escolares e a partir de observações constantes que faz no meio comunitário A Pedagogia da Alternância permite que os conteúdos de ensino apreendidos no “tempo aula” sejam verdadeiramente vinculados ao meio de vida do(a) educando(a).

  • Módulo I abordou os temas relacionados a pandemia da Covid-19;
  • Módulo II tratou do acesso aos direitos dentre eles: o direito à saúde, à água e à terra;
  • Módulo III abordou os elementos para contribuir com o trabalho das/dos Agentes Populares de Saúde do Campo-CE, que são: as práticas populares de cuidado em saúde, plantas medicinais, educação popular, vigilância popular em saúde e uso de tecnologia da informação como ferramenta para o exercício da vigilância popular.

Os módulos pedagógicos iniciavam com a análise de conjuntura, dessa forma era possível apresentar as demandas atuais do que estava sendo discutido. Ao final de cada módulo, era realizada uma avaliação, tanto junto à equipe pedagógica quanto dos(as) educandos(as), dos conteúdos, método e do(a) educador(a).

Módulo I

  • Apresentação da proposta de formação
  • A pandemia: aspectos gerais, nacional e internacional
  • A pandemia: transmissão e cuidados
  • Consequências da Pandemia: violência contra a mulher
  • Consequências da Pandemia: saúde mental
  • Consequências da Pandemia: desinformação e fake news
  • Avaliação do módulo I

Módulo II

  • Direito à saúde: SUS
  • Direito à saúde: PNSIPCFA
  • Direito a água: aspectos jurídicos
  • Direito a água: caminho das águas
  • Direito a água: água e saneamento
  • Direito à terra: história da luta pela terra
  • Direito a terra: agronegócio e agrotóxicos
  • Direito a terra: agroecologia
  • Direito a terra: soberania alimentar e segurança nutricional
  • Avaliação do módulo II

Módulo III

  • Práticas Populares de Cuidado em saúde
  • Uso e manejo de plantas medicinais
  • Educação Popular
  • Vigilância Popular em Saúde
  • Uso da Tecnologia da informação na Vigilância Popular em Saúde
  • Avaliação do Módulo III

Por circunstância da Pandemia da Covid-19, todo processo de formação ocorreu de forma híbrida, associando os “momentos aula/Tempo aula” de modo remoto e síncrono através de plataformas de “conversa”; e o “momento de prática/ Tempo Comunidade” que segue a Pedagogia da Alternância, era vivenciado de maneira presencial atendendo aos protocolos sanitários vigentes em cada período da pandemia.

Para os temas abordados, foram convidados profissionais e professores, militantes na área de atuação, pessoas com referência no conteúdo que foi ministrado. O Tempo Aula (TA) era entre uma hora e trinta minutos até duas horas, agendada em dias e horários fixos para evitar contratempos.

O roteiro prezava por um processo dialógico onde educadores(as) e educandos(as) pudessem atuar de forma horizontal, dessa maneira adotamos o seguinte roteiro:

  • Coordenação da aula: Um educando ou educanda previamente selecionado
  • Acolhida e mística: um grupo de educandos e educandas previamente selecionados

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